REGIÃO SERRANA REGISTROU 59 SUICÍDIOS NOS ÚLTIMOS 19 MESES

Deputado Marcus Vinícius aprovou projeto para instituir Semana de Prevenção ao Suicídio

Nos últimos 19 meses, foram registrados 691 suicídios em todo o Estado do Rio. O número foi levantado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública a pedido do deputado Marcus Vinícius Neskau (PTB), autor do projeto de lei 249/15, já aprovado em primeira discussão na Alerj, que institui a Semana Estadual de Prevenção ao Suicídio. Os dados mostram que ao menos uma pessoa tira a própria vida todo dia em território fluminense. Só na Região Serrana, foram 59 registros nos últimos 19 meses, sendo 14 em Petrópolis, a segunda cidade com maior registro na região (Nova Friburgo teve 18). Só na capital, foram 302 mortes.

“Apesar de todo tabu que cerca o tema, precisamos divulgar o assunto, suas possíveis causas e sinais emitidos por quem precisa de ajuda já que 90% dos suicídios podem ser evitados com orientação especializada. É necessário romper com esse temor de levar informações sobre o tema justamente para que as pessoas entendam que o suicídio pode estar mais próximo que imaginam e para não só incentivar as pessoas que carecem de tratamento a buscar uma ajuda como também alertar a população de uma forma geral na identificação daqueles que necessitam de atenção”, afirmou Marcus Vinícius.

Com a mesma finalidade, desde 2015 é promovida a campanha Setembro Amarelo, que encerra neste sábado com uma ótima notícia: o Governo Federal criou um Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio, com previsão para disponibilizar, a partir deste dia 30, ligações gratuitas para o 188 (Centro de Valorização da Vida) nos estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Piauí, Roraima, Acre, Amapá, Roraima e Rio de Janeiro. O serviço já funciona desde 2015 no Rio Grande do Sul. As iniciativas se unem ao plano da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa diminuir o número de suicídios em 10% até o ano de 2020.

Durante palestra promovida pelo Departamento Médico da Alerj, nesta semana, a coordenadora regional do CVV, Maria das Graças Araújo, alertou: “Todo mundo pode escutar de um amigo ou parente ‘estou cansado de viver’ ou ‘não aguento mais’ e nossa obrigação é conversar com eles. Somos responsáveis pelas pessoas que nos rodeiam.” Segundo Maria das Graças, às vezes, a pessoa que considera o suicídio só precisa ser ouvida. “Sem julgamento, sem análise, sem preconceitos, e, também, sem dar conselhos. É o que fazemos no CVV. São pessoas comuns, preparadas para ouvir quem precisa”, explicou. “O ser humano tem um instinto de sobrevivência. A pessoa não quer morrer, e sim escapar da dor.”

Além da conscientização sobre a valorização da vida, o deputado Marcus Vinícius ressaltou ainda ser fundamental a interlocução para que cada município tenha o seu Centro de Atenção Psicossocial (Caps) pois, segundo o estudo divulgado pelo Ministério da Saúde, as unidades reduzem em 14% o risco sobre essas ocorrências e, dos quase 6 mil municípios brasileiros, apenas 2.463 são providas dessas instituições.

Novos dados do Ministério da Saúde mostram que o índice de suicídio cresceu entre 2011 e 2015 no Brasil. Segundo a pasta, esta é a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos. Em 2011, foram 10.490 mortes: 5,3 a cada 100 mil habitantes. Já em 2015 o número chegou a 11.736: 5,7 a cada 100 mil, segundo dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

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